
ficarás a olhar a água comigo, e molharás teus pés, sem medo que os peixes nos beijem os dedos. quando a noite cair, voltaremos para casa, com as mão apertadas uma noutra e tu me contarás das histórias das estrelas e eu fingirei que não entendo de constelações. e talvez eu sinta frio talvez eu queira gritar e talvez eu chore tanto. mas eu sei que vais me emprestar a blusa, pra enxugar, o a voz pra gritar e o abraço pra esquentar. e quando der fome, ou gripe ou medo, terás corpo e remédio e olhos. e eu nunca mais precisarei entrar no mar sem me encharcar.

9 comentários:
de pés molhados, correremos para casa. e já em casa, ler-te-ei as coisas das minhas prateleiras, não sei bem ainda quais, já que me são todas elas bonitas, e em todas elas há de ti lá, então eu não sei bem, escolherei à sorte, livro que é livro se abre em qualquer página e parece sempre o início de um dia. pois bem, correremos livres e de pézinhos molhados pelos dias, não sei se de água salgada ou água doce, e já depois das leituras, eu prometo dançar contigo, também não sei que música, perdoa, mas é que toda a música em que tu existes, é bonita que só, e direi bonita que só, porque é a minha cara dizê-lo. é a tua cara sorrires, assim que eu to disser. de mãos atadas, combinado, de mãos atadas: não importa se se acertam os dedos ou se se alinham as unhas, temos unhas pequenas, as minhas mais, desde que atadas. julho, velho julho, onde andas que não te cheiro pertinho de nós? ela diz que trazes os ventos mais doces e julho, eu acredito. por isso, meu velho, vê se chegas depressa. depressinha, que eu bem que preciso.
teus escritos me lembraram um poema de Florbela Espanca, ao qual transcrevo:
Fanatismo
"Minhálma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio do Fim!..."
teus escritos me lembraram um poema de Florbela Espanca, ao qual transcrevo:
Fanatismo
"Minhálma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio do Fim!..."
Que bom que continuas tayná, que bom. :)
eles passarão, tu passarinho.
que coisa mais linda.
sim, é lindo demais. que é sentido...
Incrivel que eu tenha lido isto em hora tão bem vinda. mais Incrível que tu tenhas escrito isso. Sempre admiro quem consegue arrancar partes de mim sem mesmo me conhecer.
eu demorei tanto pra passar por aqui que agora tou tentando recuperar os textos perdidos. tu és brutal, guria.
Desculpe a invasão, mas é que achei isto tão lindo...
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